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CASA BARATA {OU QUASE}

Construir uma casa do zero custa caro. Bem caro. Sabendo disso, o arquiteto neozelandês Davor Popadich nem considerava a possibilidade de comprar um terreno vazio e erguer um lar para ele e sua esposa, que dirige uma pequena empresa de importação de móveis. O intuito então era encontrar algum imóvel em bom estado e que coubesse no orçamento. Mas eis que, de repente, o destino deu um jeitinho de mudar essa história.

Depois de duas tentativas frustradas de compra, eles se depararam com uma oportunidade imperdível e por impulso acabaram fazendo uma oferta por um pequeno lote na costa de Auckland, na Austrália. Nem preciso dizer que a oferta foi aceita, né?

O problema foi que a verba do arquiteto, que já não era das maiores, foi reduzida a apenas $187,000 dólares neozelandeses. Nesse momento, ele se perguntou se seria capaz de planejar uma casa inteira com apenas essa quantia. Porque em uma obra de grande porte, o dinheiro vai embora rapidinho.

Inspirado pelo entorno da costa, Davor baseou o conceito do projeto nos galpões usados para guardar barcos e lanchas, que são bem comuns na região. A proposta mostrou-se bem mais econômica do que as residências convencionais, mas ainda assim ele teve que ceder, substituindo acabamentos e abortando ideias até chegar a um valor praticável.

Enquanto ele dedicava boa parte de seu tempo livre desenhando cada precioso detalhe da arquitetura, sua esposa Abbe estava focada em deixar os interiores confortáveis e práticos, realmente de acordo com a rotina da família. Segundo ela, esse processo a fez pensar no que eles esperam da vida juntos e em como seria sua relação com essa casa. Cobrindo praticamente todas as paredes, o compensado naval é mais uma solução econômica, e reveste também os sofás embutidos do living, dispensando o gasto com móveis caros.

Fotos via Dwell

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ARMÁRIO DETETIVE

Ele não vai nem precisar dizer ‘mãos ao alto’ pra você se render completamente. Inusitado, o armário Officer causa tanta estranheza quanto admiração, e por essa originalidade a peça foi um dos grandes destaques da feira Stockholm Design Week, realizada no mês passado na Suécia. A pose de detetive particular, com direito a puxadores de bigode e chapéu-luminária, garante o bom-humor dessa criação e a inclui na crescente lista de móveis de apelo afetivo com formas humanizadas. É o tal do design + humano que já citamos AQUI.

A dupla que concebeu o Officer também pode ser considerada improvável. O designer Sanghyeon Cho e seu amigo Ji, que é ilustrador de livros infantis, agora compõem o Studio AMUNA, tão recente que ainda não tem nem site. Para eles, o Officer pode se tornar o protagonista da decoração da sua sala ou escritório, assim como um grande inspetor é protagonista em uma história de suspense.

Fotos via We Heart Uk

COZINHAS LEICHT POR MAURÍCIO ARRUDA

A mistura é boa. De um lado, a tecnologia de ponta do design alemão, racional e objetivo. Do outro, o inconfundível “jeitinho brasileiro”, com elementos meio que improvisados e espaços pensados para receber os amigos ali mesmo, na cozinha. É nesse clima high-low que a Leicht, famosa marca de armários planejados da Alemanha, chega ao mercado brasileiro. O showroom, que fica em São Paulo, foi projetado pelo arquiteto Maurício Arruda, expert nessa história de misturar referências.

São quatro modelos de cozinha em exposição, cada qual com o seu estilo e seus componentes exclusivos, pra agradar a gregos e troianos. Todas valorizam a praticidade e a limpeza dos traços contemporâneos, mas tem uma mais jovem e colorida, outra com uma pegada mais sustentável e por aí vai. Além dos armários, gavetas e sistemas de portas e corrediças super avançados, o que encanta mesmo na loja da Leicht são os pequenos detalhes, que simulam aquele clima gostoso de casa.

Fotos via Maurício Arruda

MÓVEIS COM ROUPINHAS

Foi no cenário nem um pouco convencional da Islândia, que a jovem designer turca, Beril Cicek, encontrou inspiração para uma série de móveis surpreendentes, feitos de madeira e { acreditem! } lã.

Durante uma viagem à região gelada, Beril descobriu as roupas típicas usadas pelo povo de lá, como os ullarpeysa sweaters, ou blusas feitas à mão, e os saudskinnskors, que são sapatos de couro de carneiro com apliques de tricô. A singularidade dessas peças de vestuário fez surgir uma ideia fantástica na mente da designer, e foi assim que nasceu a coleção ULL, lançada esse mês durante a Stockholm Design Week.

Os delicados armários de madeira ganharam roupinhas de lã em cores suaves, com direito a botões e tudo — esses feitos com pequenas toras e galhos cortados. Além disso, sem portas eles ficam bem leves, podendo ser facilmente carregados pelos ambientes.

ALERTA TENDÊNCIA!

Vocês lembram dos móveis com bracinhos e perninhas que postamos aqui? Agora surgem essas peças com roupinhas! Algo me diz que o design está ficando literalmente cada vez mais humanizado, pensado muito além da função, pensado para emocionar e estreitar os vínculos afetivos entre as pessoas e seus lares, móveis e objetos.

Fotos via We Heart UK

ACHADOS DA SEMANA

{ A mistura de dourado e cobre com madeira pode ser incrivelmente charmosa. Inspirada por essa composição da foto acima, fiz uma seleção afiada de produtos nessas cores. Pra quebrar o brilho, peças e detalhes em branco fosco. }

Os pendentes Coral, criados por Arturo Alvarez estão à venda na Dominici | Luminária FKA assinada por Jonah Takagi | Banco de madeira Drumond, da loja Obravip | Lançamento: vasos The Baccarat Zoo por Jaime Hayon | Porta-copos de madeira rústica Cabin Coaster Set da Leif Shop | Bowl Crushed da marca Muuto na loja Micasa | Lançamento: vaso da coleção Ecletic de Tom Dixon | Panela de pedra-sabão e cobre Stock Pot, da Anthropologie | Lançamento: mesa idealizada pelo designer Regis Padilha | Cofre divertido, Vingança do Porquinho, na Desmobilia.

SEXTA INSPIRADA! PÉ-DIREITO DUPLO

{ Clique na imagem para ler todas as matérias da coluna }

Todo mundo gosta de pé-direito alto, certo? Mas não é todo mundo que sabe como aproveitar esses privilégios arquitetônicos – afinal, são pra poucos. Selecionamos alguns projetos super bacanas com propostas ousadas e estilosas para ambientes com o teto nas alturas. Confira!

A beleza da simetria

O arquiteto Roberto Migotto dispensa apresentações. Todo mundo já sabe que ele é sofisticado até o último fio de cabelo e seu bom gosto é inquestionável. Mais um exemplo desse talento sem igual é essa residência com living amplo e integrado, onde cada detalhe reflete o cuidado de Roberto em criar espaços atraentes e impactantes. Confortáveis, os móveis ganharam acabamentos em tons neutros, que variam entre marrons e brancos.

 Iluminação em foco

Instalada em uma construção secular, mais precisamente o Palacete Lineu de Paula Machado, a Casa Cor RJ de 2011 foi marcada pela mistura da arquitetura do século XIX com a decoração contemporânea. Um dos grandes destaques do evento foi o living concebido por Gisele Taranto, onde esse mix de épocas também se fez presente. Para valorizar o pé-direito generoso, a arquiteta bolou uma criativa instalação de luminárias pendentes.

Banco criativo

De frente para o mar, um enorme prédio na cidade de Elsinore, na Dinamarca, um dia já foi um galpão destinado à construção naval. Felizmente, o governo e os arquitetos do estúdio AART conseguiram dar uma utilidade bem mais nobre à estrutura, transformando-a no centro cultural The Culture Yard. Um dos corredores, repleto de luz natural que entra pela fachada de vidro, ganhou um banco alto com formas geométricas, valorizando o pé-direito.

Ladeado pelo jardim

Enormes panos de vidro nas duas laterais fazem com que esse ambiente pareça estar no meio do jardim. E a ideia do arquiteto Marco Aurélio Viterbo era mesmo essa, criar um living onde a integração visual com a área externa da casa fosse constante. Para compor a decoração sofisticada e atemporal, foram selecionadas peças de desenho contemporâneo e revestimentos em cores neutras, garantindo que o tom que predomina seja o verde lá fora. { Conheça o projeto completo no Casa de Valentina }.

Escada estratégica

Em alguns espaços, o pé-direito duplo precisa ser aproveitado ao máximo, seja para expor grandes coleções ou até mesmo para a instalação de armários até o alto, multiplicando os cantinhos pra esconder louças ou livros. O porém é que assim tudo o que está guardado fica literalmente inalcançável. É nessas horas que entra em cena uma escada esperta com rodinhas na base e pronto! Problema resolvido.


A estante é a protagonista

Saber aproveitar cômodos com tetos altíssimos não é tarefa fácil. Por isso, assim que se deparou com o pé-direito de 5 metros da sala, a jovem dona desse apartamento em um bairro nobre de São Paulo logo recorreu à ajuda da arquiteta Paula Magnani. A proposta da profissional foi usar uma enorme estante branca como divisória entre o living e o home office, que fica logo ao lado. Alternados e de tamanhos diferentes, os nichos abertos e fechados dão movimento à peça de marcenaria.

Um hotel descontraído

Cores fortes como azul, verde e vermelho são elementos constantes no décor do hotel Hi em Nice, no litoral da França. A proposta desse hotel é diferente da dos outros. Nele não te fazem sentir em casa, e também não fazem sentir-se como um convidado de luxo. Lá no Hi a ideia é favorecer a convivência, a troca de experiências e as novas descobertas. Talvez seja por isso que os espaços sociais sejam tão interessantes. O projeto é de Matali Crasset.

Fotos via Folha Vitoria | Loveisspeed | Dezeen | Casa de Valentina | Pinterest | Casa Claudia | Abcsalles

SEXTA INSPIRADA! PAREDES

Toda casa tem paredes estratégicas que não podem ficar em branco, pode ser no hall de entrada, ao lado da mesa de refeições ou atrás do sofá. Em locais de destaque, elas clamam por um detalhe especial, uma composição de quadros, um revestimento bem diferente ou pelo menos uma pintura marcante. A seguir, várias sugestões bacanas pra fazer brotar a inspiração.

Atraente ao toque… e ao olhar

A casa da arquiteta e designer italiana Monica Armani é um reflexo de tudo aquilo em que acredita. A seu ver, os ambientes só se tornam atemporais quando preservam espaços em branco, vazios, mas sem deixar de passar uma sensação de aconchego, como todo bom lar, é claro. Talvez seja por isso que ela tenha escolhido um revestimento tão sensível pra cobrir algumas de suas paredes. Aplicado em diversas camadas, o feltro cinza transformou um espaço vazio sem graça em uma superfície gostosa de tocar.

Resgatando memórias

Acho que é seguro dizer que Marcelo Rosenbaum é o designer de interiores mais conhecido do Brasil. E não é só pela participação em um programa de televisão não. Seu talento e originalidade vão muito além disso, como também o compromisso de tornar o design mais acessível. Em seu próprio lar doce lar, Marcelo usou ideias irreverentes pra criar o clima perfeito pra sua família. No living, um desses detalhes inusitados: paredes de fulget preto que lembram a casa de sua avó.

Cor neles!

Quem é que não gosta de tijolinhos? Pessoalmente, eu adoro, mas acho que eles ficam beeem mais divertidos quando são pintados de preto, rosa, azul, roxo… Essa sala de jantar é uma prova de que nem sempre esse acabamento — ou falta de — precisa ter aquela cara rústica. Aqui ele aparece em versão contemporânea, mas ainda assim transmite aconchego.

Bloquinhos de madeira

Calma, calma… Não estamos falando daqueles bloquinhos de montar de criança – se bem que já vi um projeto assim em algum lugar. Bom, os blocos em questão são uma invenção divertida do escritório Wolveridge Architects, que não hesitou e acabou revestindo toda uma parede com acabamentos quadrados de madeira envelhecida. Instaladas sobre a lareira da sala de jantar, os toquinhos revelam um jeito atual de explorar o charme do rústico.

De bom tom

Ok, pintar uma das paredes de um cômodo de alguma cor forte não é nenhuma novidade. Mas, esse caso é diferente. Além de o tom escolhido ser um ousado laranja vibrante, a parte mais legal é que a pintura não se limita apenas à parede em si, mas também cobre os objetos e equipamentos que ficam presos a ela, camuflando até mesmo as coisas de maior volume, como o aquecedor.

High Low

O sofá da sala pode ser caro, de alguma marca internacional famosa como Moroso ou Ligne Roset, mas quem disse que o resto das peças não pode ser barato? Essa é a brincadeira do High Low. No projeto de pegada sustentável da arquiteta Juliana Traldi, o high são os itens do mobiliário, enquanto o low é o revestimento da parede. Não parece, mas ela está forrada de rolos de papelão, o que cria uma textura de tubos interessante e original.

Mural de referências

Já imaginou que as paredes podem também servir como enormes murais? Colar fotos direto sobre a pintura pode parecer loucura pra alguns, mas muita gente faz isso e adora o resultado. Lá nos países escandinavos, já até virou tendência pregar fotos, pôsteres e estampas gráficas direto com fita adesiva. Estampadas ou em cores neon, essas fitas acabam se tornando mais um charme da composição.

Fotos via Elle Decor It | Casa Claudia | Archdaily | Pinterest

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