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EXPO “DUAS SORTES POR UMA VONTADE, POR FAVOR”

Porque quando se quer mudar de vida é preciso vontade e então a sorte não mais importa.

{ Todas as fotos e vídeos desse post foram realizados por Igor Giroto, o colaborador aqui do REFERANS. }

Independente das técnicas ou plataformas utilizadas em seus trabalhos, o jovem Henrique Tomaz acredita que o verdadeiro valor de sua arte mora na possibilidade de tocar as pessoas. Para ele, sua maior realização é saber que uma de suas telas, instalações ou grafites mudou o dia – ou quem sabe a vida – de alguém. Redator, músico e artista plástico, Henrique, mais conhecido como Rien, tem apenas 21 anos, mas já tem uma consciência social bem mais evoluída do que a de muitos “homens de terno” por aí.

Inspirado pela dura realidade dos dias de hoje, ele procura despertar a atenção das pessoas sobre as enormes disparidades sociais e culturais do nosso país e do mundo. Afinal, já virou algo tão comum ver uma minoria sendo injustiçada, agredida ou discriminada, que às vezes nos esquecemos de que isso não pode ser algo normal, natural ou aceitável.

Confira no vídeo abaixo o artista em ação, pintando e falando com as próprias palavras sobre sua carreira, valores e sonhos.

Bom, apresentações feitas, temos ainda uma boa nova: Rien está exibindo algumas de suas obras em São Paulo. Batizada de “Duas sortes por uma vontade, por favor”, a expo fica em cartaz até o dia 24 de Março na Traço Livre Galeria, em Perdizes. Vai estar de bobeira esse sábado??? Então vai lá! É um programa imperdível pra quem aprecia arte urbana, acessível e engajada. Veja mais detalhes abaixo.

Ah, e tem mais vídeo! Pra vocês darem uma espiada de como a exposição está bacana…

Traço Livre Galeria

R. Monte Alegre 625, Casa 4 – Perdizes

Tel.: 3862-8753

De terça a sexta das 10h às 19h

Aos sábados das 11h às 17h

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Fotos por Igor Giroto

COZINHAS LEICHT POR MAURÍCIO ARRUDA

A mistura é boa. De um lado, a tecnologia de ponta do design alemão, racional e objetivo. Do outro, o inconfundível “jeitinho brasileiro”, com elementos meio que improvisados e espaços pensados para receber os amigos ali mesmo, na cozinha. É nesse clima high-low que a Leicht, famosa marca de armários planejados da Alemanha, chega ao mercado brasileiro. O showroom, que fica em São Paulo, foi projetado pelo arquiteto Maurício Arruda, expert nessa história de misturar referências.

São quatro modelos de cozinha em exposição, cada qual com o seu estilo e seus componentes exclusivos, pra agradar a gregos e troianos. Todas valorizam a praticidade e a limpeza dos traços contemporâneos, mas tem uma mais jovem e colorida, outra com uma pegada mais sustentável e por aí vai. Além dos armários, gavetas e sistemas de portas e corrediças super avançados, o que encanta mesmo na loja da Leicht são os pequenos detalhes, que simulam aquele clima gostoso de casa.

Fotos via Maurício Arruda

CASA DE 1969 POR PAULO MENDES DA ROCHA

Se compararmos o endereço fixo de Houssein Jarouche em São Paulo com sua segunda casa na cidade, pensada como um retiro para os finais de semana, certamente vai parecer que estamos falando de duas pessoas completamente diferentes. Enquanto o apartamento se assemelha a um loft, totalmente integrado e recheado do melhor do design contemporâneo, a residência tem espírito brutalista e representa uma época de ouro da arquitetura brasileira. { Relembre o projeto do apê aqui }

Dono da Micasa, simplesmente uma das lojas mais incríveis do país e representante das maiores marcas de mobiliário do mundo, Jarouche sabe distinguir um bom desenho de longe. Não é à toa que ele agora passa seus dias de descanso em um imóvel concebido por ninguém menos que o ganhador do Prêmio Pritzker, Paulo Mendes da Rocha. O arquiteto, hoje já com seus 80 e tantos anos, foi convidado pelo atual proprietário a comandar uma reforma mais de 4 décadas depois de ter concluído o projeto original. É por isso que essa é uma casa tão especial. Afinal, não é sempre que se pode ‘reescrever’ a própria história.

Como em toda obra-prima, o empresário sabia que seria um pecado interferir em qualquer detalhe que fosse dessa criação. Assim a tal reforma foi, na realidade, uma restauração, onde cada porta, revestimento ou cor que tinha sido alterado ao longo dos anos, voltou ao seu estado inicial. Com vidros trocados e alguns acabamentos refeitos, a única mudança aconteceu de acordo com um desejo do próprio arquiteto, um desejo de 45 anos atrás: a piscina foi finalmente pintada de preto.

Cobrindo o piso de praticamente toda a área social, os ladrilhos hidráulicos em branco, azul, amarelo e vermelho trazem um toque de delicadeza em um cenário quase todo dominado por elementos fortes e rígidos, como as instalações elétricas e canos aparentes. Já o mobiliário, com a maioria das peças vindas da Micasa, é claro, foi escolhido pelo proprietário de forma a casar com o conjunto arquitetônico, sem se sobrepor e tampouco passar despercebido.

Além do imenso valor histórico, o que mais encantou o morador foi a maneira com que a construção parece flutuar sobre o terreno acidentado. Suspensa por quatro pilares de concreto, material que reveste toda a fachada como se fosse um imenso bloco, a casa permite que as janelas sejam altas o bastante para apreciar as copas das árvores do bairro e as plantas do jardim – apesar de alguns prédios vizinhos trazerem à tona a realidade de que, afinal, ainda estamos em São Paulo.

Durante toda essa operação de restauro, Paulo Mendes da Rocha contou com a ajuda do estúdio de um ex-aluno seu, Eduardo Colonelli. Ao lado do mestre, Eduardo ajudou a dar vida nova à casa que resume o estado da arte da arquitetura brasileira.

Fotos via Interior Design

APÊ COOL POR GUILHERME TORRES

Descolado, moderninho, irreverente, arrojado… Tais adjetivos são usados com frequência pra descrever os tantos projetos incríveis do arquiteto Guilherme  Torres. De uns anos pra cá, o profissional tem ganhado cada vez mais destaque, inclusive internacionalmente.

Tanto que agora já virou fato: quando o assunto é criar um espaço autêntico que reflita a cultura jovem e urbana, não tem pra ninguém. Guilherme e sua equipe lideram o ranking. A bola da vez é o lar, doce lar do DJ Pil Marques, em São Paulo, que você conhece agora.

O desafio foi grande e até meio inesperado. Em poucos m² era preciso fazer caber não só o acervo de Pil, como também os objetos e cômodos de seus roommates, o artista Daniel Zanardi e a também DJ Adriana Recchi. A tarefa seria rotineira, e até simples, se não fosse pelas preciosas coleções do proprietário. Incontáveis bonecos toy art, discos de vinil e obras de arte exigiram do arquiteto muito jogo de cintura e um verdadeiro instinto de curador.

De frente para o hall de entrada, o equipamento sonoro — uma das grandes paixões do morador e também seu ganha-pão — recepciona os visitantes. Logo em seguida, o que mais atrai o olhar são as paredes da área social, coloridas em azul escuro na parte do sofá e em rosa forte na cozinha integrada. Apesar de vibrantes, as cores, assim como os móveis, funcionam como pano de fundo para que os objetos garimpados ao longo dos anos fiquem sob os holofotes. Como detalhes que exigem um olhar mais atento e demorado, tal qual uma exposição.

O quarto de Pil, como já era de se esperar, foi transformado em um refúgio não só para ele, como também para seus mais queridos bonecos, de relíquias vintage a modelos recém-lancados, passando por personagens do Star Wars e de desenho animado. É ali, cercado por seus pertences do coração, em meio ao caos organizado, que o DJ consegue realmente descansar e sentir-se em casa.

Não se cansa dos projetos do Guilherme? Nós também não! Clique na foto e descubra muitos outros já publicados aqui.

Fotos de Lufe Gomes via Yatzer

IMPROVÁVEL: GRAFITE NO ELEVADOR

Para os grafiteiros, arriscar-se em lugares improváveis e nada seguros já faz parte do cotidiano. Pra inovar, vale criar painéis em muros enormes, embaixo de pontes e etc. Mas essa eu nunca tinha visto! O Cranio, artista de São Paulo famoso por seus indiozinhos azuis, publicou esses dias um de seus mais recentes trabalhos: um mural vertical dentro do fosso de um elevador. Isso é que é coragem hein?

{ Quer ver mais da arte do Cranio? Relembre um post que fizemos aqui com vááárias fotos dos seus trabalhos. }

A LOJA DESCOLADA DE ADRIANA BARRA

Na esquina da Alameda Franca com a Rua Haddock Lobo, nos Jardins, uma grande casa coberta por jardins verticais desperta a curiosidade de quem passa por ali. Ainda que a construção possa ser misteriosa para a maioria, os fashionistas de plantão já sabem: esse casarão surpreendente abriga a arrojada loja da estilista Adriana Barra, inaugurada em Setembro de 2009.

Com pouco mais de 350 m², o imóvel exibe uma arquitetura livre de excessos, onde as caixas de concreto e madeira criam um divertido jogo de contrastes com os painéis paisagísticos. Para promover a entrada de luz natural, fendas de vidro em posições estratégicas foram outra alternativa interessante usada no projeto arquitetônico.

Além dos blocos anexos à construção original, o antigo casarão teve partes de sua estrutura restauradas, a exemplo do piso em perobinha e das grandes janelas em pinho-de-riga, madeiras atualmente em extinção. A escada principal também foi preservada e ganhou um visual contemporâneo graças aos degraus coloridos que seguem cores da cartela Pantone.

Recriando um universo lúdico e criativo, a decoração da loja, idealizada por Adriana, tem um apelo quase cenográfico que permitiu a criação de detalhes atrevidos, como os provadores que lembram banheiros retrô e um ambiente totalmente revestido por pastilhas com estampa assinada pela própria Adriana. Encanamentos de cobre viram cabideiros inusitados e contracenam com bancos feitos de alvenaria e muitos móveis de designers e marcas renomadas, como a Moroso.

Em cada novo espaço que se entra, a loja com cara de casa vai revelando cantinhos divertidos e moderninhos, encantando os clientes e os introduzindo à atmosfera mágica das criações da fashion designer.

Fotos por Tuca Reinés via Flickr Adriana Barra

APARTAMENTO HARMONIA DO COLETIVO WHYDESIGN

Referências ao movimento brutalista estão por toda a parte nessa cobertura de 132 m² na Vila Madalena, em São Paulo. Da laje original às vigas de concreto, o apê expõe sem medo – e sem maquiagem – todos os detalhes que definem sua estrutura. A reforma às avessas, que durou cerca de 5 meses, foi comandada pelo coletivo WHYDESIGN, formado por Guto Requena, Maurício Arruda e Tatiana Sakurai, todos já conhecidos pela busca constante por novos conceitos.

Claro que os moradores, um administrador paulistano e um advogado/designer brasiliense, tiveram grande participação no resultado final da decoração, que ganhou ares masculinos não só pelos acabamentos escolhidos, mas também pelo jeito prático e “sem frescura” de distribuir os ambientes. Diversos tons de cinza orientam a paleta de cores sóbria, suavizada pelas paredes de alvenaria e azulejos brancos.

Como já é comum na maioria das casas, a cozinha integra-se ao living, deixando o andar de baixo quase sem paredes, totalmente aberto. Pra reforçar a sensação de amplitude e unidade visual, os designers propuseram o uso de um mesmo piso em todo o apartamento, o ladrilho hidráulico cinza, que reveste inclusive a suíte e o closet, no pavimento superior.

Ainda na área social, a iluminação também chama a atenção, formada por calhas em ziguezague que abrigam lâmpadas fluorescentes de efeito amarelado. Ali, a escada de formas orgânicas atua como protagonista ao lado de móveis de design assinado, como as ousadas peças concebidas por Rodrigo Almeida.

Com teto de madeira pra proporcionar mais aconchego, o andar de cima também traz soluções arquitetônicas interessantes. A primeira delas é a ligação entre dormitório e sala de banho, que se dá através de portas pivotantes escuras. A segunda, e ainda mais surpreendente, é o box do banheiro, fechado por uma folha de vidro que revela a vista para a varanda – e para a cidade lá fora.

Fotos via Flodeau

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